A quantos lugares Paige já foi! Como todo nova-iorquino rico, ela janta no Mercer Kitchen, lancha na delicatessen E.A.T., na Madison Avenue, e escolhe suas novas botas na Gucci. “Nós até bebemos juntas”, diz Dina Lewis, agente imobiliária e companhia constante de Paige.
No Plug Uglies, na Third Avenue, “Paige senta à mesa e tudo o mais”, diz Lewis. “É como ter um amigo muito bonito e muito bêbado com você o tempo todo.” Exceto pelo fato de Paige ser um chihuahua do tamanho de uma boneca. Ela viaja com sua dona para todos os lugares, vendo o mundo de dentro de uma bolsa.
Paige é o que se conhece por “cachorro na manga” (sleeve dog), um sinal de status desde a Antiguidade. Devidamente colocados dentro de bolsas de mulheres na moda, cães em miniatura foram os favoritos de nobres como Maria Antonieta e Elizabeth II. A pseudo-nobreza de Hollywood também os adora, como atrizes e personagens de colunas sociais como Tori Spelling e Mickey Rourke.
Agora, graças em parte à sua visibilidade no tapete vermelho, crias compactas são mais popular que nunca. “Estamos vendo uma tendência nacional de cães menores”, diz Niki Marchall Friedman, porta-voz da American Kennel Club. Por exemplo, os registros de cachorros da raça grifo de bruxelas cresceram 231% nos últimos dez anos. A do norwich terrier subiu 91%.
Exibidos como elementos da moda, caninos em miniatura são equivalentes, para alguns, a pares de saltos da marca Louboutin ou outro acessório. “Penso neles como uma bolsa de mão com coração”, diz Robin Bowden, vice presidente de uma imobiliária de Manhattan. O escritório dela é a segunda casa de dezenas de cãezinhos vestidos que pertencem a vários dos empregados. “Eles têm pequenas camas e ficam andando por todo canto." diz. “Já vi agentes mostrarem caríssimos lofts no SoHo carregando seus pequeninos cachorros em suas bolsas de marca.”
“As pessoas gostam da portabilidade dessas animais”, diz Friedman. Elas ficam impressionadas pelas celebridades, completou.
Yorkshire terriers, cavalier King Charles spaniels, bulldogues franceses e papillons: todos que podem viver em pequenos apartamentos estão entre as raças mais procuradas, de acordo com o Kennel Club. Todos escolhidos por mulheres jovens e ricas.
“Quando os filhos vão para a universidade, ter os bichinhos por perto é uma ajuda”, diz Bob Vetere, presidente da Associação de Fabricantes de Produtos para animais de estimação. “O cão agrega um grau elevado de status”, diz. “Para nos fazer sentir bem, tendemos a agradá-los de forma humana, não animal.”
Na visão de muitos dos donos, nenhuma bajulação é excessiva. Eles ignoram solenemente a proibição de levá-los a restaurantes. Muffin, um “yorkie” de três anos, é freqüentador habitual do Café Orlin. “Gosto de levá-la para um brunch”, diz Alex Revana, sua dona.
Revana é estilista, e fez toda a produção de visual de Muffin, que inclui um mordedor da grife Vuitton, e janta no California Natural, um restaurante para animais de estimação com comida orgânica.
Paige, o cachorro da senhora Lewis, tem 40 roupas diferentes, incluindo um casaco Hermes. Parte do armário de Lewis é reservado especialmente para o cão. Tal qual a dona, Paige gosta de estar na moda. “Passo horas procurando pela internet e chego a encomendar em lojas do Canadá, ou da suíça, roupas para Paige que ninguém mais em Nova York vai ter.”
O senhor Fudge, um chihuahua de quarto anos pertencente a Wendy Kaplan, consultora de moda de Nova York, tem um casaco de chuva Old Navy amarelo com bolsos, “caso ele queira um biscoito”, explica a dona.
Ele viaja numa bolsa de oncinha. “Há lugares que tenho que levá-lo escondido”, diz Kaplan. Irritada com as proibições, ela reclama. “Por que precisa ser assim? Vivemos uma cultura de cachorros.”
Até certo ponto, ela parece estar certa. Lojas especializadas, hotéis, empresas aéreas e mesmo bares estão estendendo a hospitalidade aos cães. “Todos os tipos de serviços estão se preparando para receber pessoas que viajam com seus cães”, diz Vetere. “São animaizinhos, e não monstrinhos.”
Rebecca Rand, porta-voz da rede de hotéis W, que oferece um programa amigável aos cães, diz que viajantes que levam seus animais de estimação são uma tendência significativa. “As pessoas os tratam como parte da família, então tentamos acomodá-los da melhor forma possível”, diz. Isso inclui tratamentos especiais com camas e travesseiros específicos.
Cães de colo e outros são tolerados em muitos escritórios atualmente. Cerca de 20% das empresas entrevistadas numa pesquisa recente permitiam animais no local de trabalho. Cerca de 38 milhões de americanos adultos que trabalham acham que ter os animais de estimação no local de trabalho ajudam no aumento da produtividade.
Melanie Lazenby, agente imobiliária de Nova York, diz que levar Eva, seu chihuahua de dois quilos, para o escritório ajudou até mesmo a conquistar clientes. Recentemente, o dono de um apartamento avaliado em mais de R$ 7 milhões em Greenwich Village, também dono de um chihuahua, se tornou cliente de Lazenby no momento em que viu Eva. “Foi tudo na base do amor pelos cães”, diz.
Toda essa aproximação humano-animal pode assustar alguns. Ninguém é mais sabedor do potencial de absurdos de um cão de colo que alguns donos. “Para algumas pessoas no meu trabalho, eu poderia ser considerada uma tragédia”, diz Lewis sorrindo. “Penso que a vida é curta, então por que não aproveitar seu lado frívolo e ridículo?”
Nem todo mundo se diverte. A visão de Lazenby vestida exatamente igual a seu cão tem o potencial de gerar repulsa, ela sabe. “É a clássica situação do filme ‘Legalmente Loira’”, ela diz. “Algumas pessoas acham ridículo cão e dona vestidos iguais.”
Isso também faz os treinadores de cães reclamarem. Eles dizem que animais de estimação não são acessórios, e que tratá-los como prêmios, independentemente do quanto isso possa significar, pode evitar que o animal tenha o que ele realmente precisa. “É importante treiná-lo e socializá-lo”, diz Bash Dibra, treinador de Nova York. “Caso contrário, tem-se um problema.” Um animal muito mimado pode se tornar agressivo, ele explica. “Às vezes o cão fica raivoso. Não é uma boa situação.”
Patty LaRocco, que leva seu yorkie Dylan para o trabalho e encontros sociais, sabe que a socialização do animal tem limites. “Um banqueiro bem vestido não vai querer Dylan pulando em cima dele.”
Por outro lado, cãezinhos podem quebrar o gelo em algumas situações.
A senhora Lazenby, que se mudou para Manhattan poucas semanas antes dos atentados do 11 de Setembro, relembra. “Era muito difícil conhecer novas pessoas. Toda a cidade estava em depressão, e não era uma época sociável. Trouxe o cão porque me sentia sozinha, e ela acabou trazendo várias pessoas para a minha vida.”
Não surpreende Kaplan, portanto, que Fudge seja um ímã de pessoas. Vestido com uma coleira da marca rhinestone, ele a acompanha em festas onde “as pessoas não conversariam com você de outra forma, e assim o fazem”, diz. E por que não? “Meu cão faz melhor contato visual do que muita gente que eu conheço."
Globo.com

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